Terra exibe a maior velocidade de rotação dos últimos 50 anos

A rotação da Terra em torno de seu eixo apresentou a maior velocidade dos últimos 50 anos em 2020. De acordo com o Time and Date, somente no período foram registrados 28 dias com esse padrão desde o início do monitoramento, na década de 1970. Caso a tendência permaneça, implicará no futuro que um determinado ano tenha um segundo a menos em relação aos demais.

Tais alterações são acompanhadas por diversos relógios atômicos ao redor do mundo, responsáveis por medir o Tempo Universal Coordenado (UTC), sistema seguido pelos países. Quando o tempo astronômico definido pelo tempo em que o planeta leva para fazer uma rotação completa se desvia do UTC em mais de 0,4 segundos, este último recebe um ajuste.

A alteração ocorre em um segundo, conhecido como segundo bissexto — também chamado de segundo intercalar ou adicional. Quando isso não é feito, a medição do tempo baseado na rotação pode se divergir da medição atômica, devido a uma variação irregular e decrescente da velocidade do movimento.

De acordo com o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST), o modelo tem seus prós e contras. É vantajoso para garantir a sincronia das observações astronômicas com a hora do relógio. Contudo, pode gerar problemas a alguns aplicativos de registro de dados e infraestrutura de telecomunicações.

A rotação do planeta varia ao longo do tempo como resultado de eventos climáticos e geológicos. Dentre os principais causadores, destacam-se as acelerações de marés, movimento da crosta da Terra relativo ao seu núcleo e pressão atmosférica. Tais diferenças são observadas através do movimento do planeta em relação a objetos astronômicos distantes e do uso de fórmulas matemáticas para calcular o dia solar médio (24h), equivalente a um giro da Terra (86,4 mil segundos).

O ano de 2021 pode ser ainda mais curto

Devido à rotação mais lenta do planeta, o serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra (IERS) aplicou o modelo intercalado 27 vezes a partir de 1972, ao adicionar um segundo (nomeado como segundo bissexto positivo). Porém, com o aumento da velocidade desse movimento, a aplicação não foi registrada desde 2016 e agora se apresenta através dos primeiros segundos bissextos negativos.

Logo, cientistas preveem que 2021 apresente dias ainda mais curtos em comparação a 2020 — média de 0,05 milissegundos a menos. Ao longo dos próximos meses, os relógios atômicos também acumulariam a defasagem de cerca de 19 milissegundos.

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