Em disputa com o Facebook, a Apple mostrou o seu poder e tira do ar aplicativos internos da rede social

Para entender melhor, buscamos a matéria editada pelo site de tecnologia techtudo.com para explicar melhor esse caso. Funcionários do Facebook perceberam quarta-feira (30), que não podiam executar suas tarefas mais básicas de trabalho. Seus calendários não funcionavam. Nem os mapas da sede da empresa, que se esparrama por alguns quilômetros em Menlo Park, na Califórnia (EUA). O calendário dos ônibus internos da companhia também estava fora do ar, bem como os cardápios dos refeitórios.

Isso porque todas essas ferramentas estão baseadas em aplicativos internos, feitos pelo Facebook para o iPhone. E a Apple tirou todos eles do ar, segundo atuais e ex-empregados das duas empresas relataram ao jornal The New York Times.

A situação dramática foi um reflexo rápido da disputa entre duas das maiores empresas de tecnologia na última semana. Tudo aconteceu depois que foi descoberto que a rede social tinha violado as regras de desenvolvedores de aplicativos da Apple ao distribuir um app de pesquisas que “espionava” toda a atividade de um usuário no seu celular.

Ao saber da transgressão, na noite da terça-feira, a Apple revogou todo o acesso especial do Facebook a desenvolvimento de aplicativos – dos cardápios nos apps de 35 mil funcionários até versões de testes do Instagram, WhatsApp e Facebook. Por dois dias, muitos empregados do Facebook não tiveram como trabalhar, resultando em inúmeras horas improdutivas.

Na quinta-feira (31) à noite, a Apple restaurou o acesso do Facebook ao seu programa de desenvolvimento. No entanto, o episódio serviu como lembrete de onde está o poder na indústria de tecnologia. Enquanto o Facebook é a maior rede social do mundo, a Apple controla a distribuição de apps em celulares – e esse poder faz com que a rede social de Mark Zuckerberg tenha de se submeter às regras escritas por outras empresas.

Rivalidade

Zuckerberg e Tim Cook, presidente executivo da Apple, têm trocado farpas. Não é só uma competição por talento e inovação, mas também sobre a privacidade dos usuários – Cook criticou o Facebook diversas vezes no ano passado por conta do escândalo Cambridge Analytica. No ano passado, o Facebook contratou uma agência de relações públicas, a Definers, para instar repórteres a colocar a Apple sob sua mira. A fabricante do iPhone respondeu com mudanças que limitaram a capacidade da rede social em rastrear seus usuários.

Em uma entrevista na última quarta, a diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, comentou a disputa. “Queremos estar alinhados com nossos parceiros”, disse a executiva, que está só abaixo de Zuckerberg na linha de comando da rede social. Ela acrescentou que o aplicativo de pesquisas do Facebook não era segredo e operava com consentimento dos usuários.

A questão, porém, é a de que o Facebook já tinha praticado algo semelhante no passado. Em 2013, o Facebook comprou a Onavo, uma startup israelense que criou um aplicativo capaz de coletar dados sobre como cada usuário utilizava aplicativos em seus celulares. Com ajuda do programa da Onavo, o Facebook conseguiu entender quais aplicativos estavam virando moda na mão dos usuários. Foi assim, por exemplo, que Mark Zuckerberg entendeu a importância do Snapchat (que recusou uma proposta de compra do Facebook) e do WhatsApp.

No ano passado, porém, a Apple atualizou suas políticas de privacidade – o que forçou o Facebook a remover o aplicativo da Onavo de sua loja de aplicativos. O time da startup, já integrado à companhia de Zuckerberg, porém, já tinha criado um aplicativo de pesquisa que aspirava todos os dados do smartphone de um usuário – o tal Facebook Research que gerou o escândalo dessa semana.

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