Coordenadoria promove debate sobre papel da mulher na sociedade

Com um debate sobre questões de gênero e protagonismo feminino, a Coordenadoria da Mulher, vinculada à Secretaria Municipal de Segurança Pública e Proteção Social (SMSPPS), promoveu na manhã desta sexta-feira (08/03) um evento no auditório do Centro Administrativo Municipal. O bate-papo, seguido da abertura da exposição artística “Coisa de Mulher”, trouxe discussões sobre as construções sociais que norteiam os papéis sociais. A ação alusiva ao Dia Internacional da Mulher reuniu cerca de 120 participantes.

A titular da Coordenadoria, Janete Thomé, abriu o evento, saudando os presentes. “Buscamos relembrar mulheres que fizeram história, desafiando tabus e preconceitos, e que ajudaram a construir uma sociedade melhor para todas nós. Graças a elas, podemos ver que coisa de mulher é muito mais do que imaginamos”, salientou, também agradecendo às colegas da SMSPPS e da Rede de Proteção à Mulher. A primeira-dama do Município, Andrea Marchetto Guerra, enviou uma mensagem em vídeo para os presentes, ressaltando a importância de relembrar mulheres históricas da sociedade e da vida de cada um.

O secretário de Segurança Pública e Proteção Social, Ederson de Albuquerque Cunha, representando o prefeito Daniel Guerra, elogiou a Coordenadoria “Quando assumi o desafio de liderar a SMSPPS, fiquei muito satisfeito de termos um ótimo trabalho de apoio e proteção às mulheres. Quando fui policial militar, coordenei o curso da Patrulha Maria da Penha, portanto esse tema é muito próximo a mim. Fico feliz em podermos desempenhar essa missão”, concluiu.

A psicóloga Bruna Krimberg Von Muhlen iniciou o bate-papo com o questionamento “O que são coisas de mulher?”, buscando desconstruir narrativas estereotipadas presentes na sociedade. A especialista apresentou dados constatados no seu trabalho e também em estudos acadêmicos sobre os papéis de gênero enraizados na sociedade e as narrativas sociais que os constroem. “Desde a antiguidade, temos uma ideia da mulher como objeto e o homem sendo o dono dela. Portanto a mulher deve ser frágil, delicada, não aparecer. E essas ideias continuam no nosso pensamento. Como mulheres, devemos sempre nos questionar: por que faço isso? Fui ensinada assim, mas faz sentido? É difícil, mas muito importante que procuremos quebrar esses paradigmas”, explica a terapeuta.

Bruna explica que os papéis de gênero já são definidos na infância, por meio da diferenciação de brinquedos e cores. As pressões e narrativas criadas pelos pais implicam em papéis engessados, no que se deve ou não fazer por ser homem ou mulher. A psicóloga também esclareceu que algumas dessas convenções prejudicam os homens, como a ideia de que eles não devem demonstrar sentimentos ou fragilidade. “Desde pequenos, os meninos crescem ouvindo que homem não chora, que não homem não pode ser sensível. Observo em meu consultório que as mulheres conseguem entrar em contato com suas emoções e lidar com elas muito melhor do que o sexo masculino, porque eles não foram condicionados a isso”, comentou a profissional.

Estiveram presentes as vereadoras e vereadores Tatiane Frizzo, Denise Pessoa, Paula Ioris, Tibiriçá Maineiri e Elisandro Fiuza, líder de governo na Câmara, além de representantes da Delegacia do 2º Distrito e do 3º Grupo de Artilharia Antiaérea.

Exposição “Coisa de Mulher”

Após o bate-papo, foi aberta a exposição “Coisa de Mulher”, da artista Raquel Vitorelo. Complementando a temática da palestra, as ilustrações representam mulheres que fizeram história, com feitos nas áreas das ciências, artes, política e esporte, provocando uma reflexão sobre a importância de personagens femininas na sociedade. Figuras como Marta, jogadora de futebol, e Malala Yousafzai, ativista, aparecem com a frase “Coisa de mulher é…” seguida de suas realizações marcantes. A mostra continua no segundo andar da prefeitura até o dia 22 de março, com entrada aberta ao público. Após essa data, as obras passarão pelos serviços da Rede de Proteção à Mulher

Roseana Raquel Neves, de 31 anos, trouxe seus alunos do 3º ano da Escola Estadual de Ensino Médio Henrique Emílio Meyer para participar do bate-papo e prestigiar a exposição. “O evento trouxe reflexões muito boas, abrindo espaço para quebrar paradigmas. Para os meus alunos foi interessante. Eles reconheceram alguns assuntos de nossas aulas e, com certeza, uma semente foi plantada para compreenderem ainda mais sobre os papéis de gênero. A exposição é impactante, gostei de ver muitas mulheres brasileiras retratadas nas obras. É ótimo que esses assuntos sejam discutidos aqui, em um local público”, elogiou a professora de história e sociologia.

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